Guerra económica entre Estados membros.

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“A melhor maneira de se proteger contra os investidores estrangeiros é o ataque.” afirmou o ministro das Finanças italiano Giulio Tremonti. O estrangeiro em ocorrência é uma empresa de um Estado membro da União europeia.

O governo italiano reagiu com este discurso bélico à vontade de tomada de controlo da Parmalat pelo grupo francês Lactalis. A participação deste na sociedade histórica italiana subiu aos 29% em Março 2011. Depois do desistimento da Ferrero e Granarolo, o governo começou a virar-se para a sua Caixa de depósitos e empréstimos para uma possível OPA sobre a Parmalat considerada como investimento “estratégico”. Entretanto, emitiu um decreto-lei ad hoc para autorizar o grupo a fazer a AG em Junho, mais tarde que o normal. O objectivo da manobra era de encontrar tempo para estruturar um consórcio concorrente ao francês no qual entrariam bancos nacionais. Uma solução de compromisso evocada nos media teria consistido em Lactalis sair da Parmalat Italia para estar presente na marca internacional. Este acordo teria permitido aos italianos salvar a face e aos franceses de estar presentes nos mercados internacionais da marca que representam ¾ do volume de negócios. Lactalis decidiu finalmente lançar uma OPA no dia do encontro oficial entre Sarkozy e Berlsuconi. Este último acabou por qualificar a operação de não hostil.

Esta guerra comercial merece várias observações. O governo de Berlusconi justificou a sua oposição falando de investimento “estratégico”: não se vê como um produtor de leite é estratégico para a soberania de um país. É estratégico o recurso, know-how, hardware, software, que permite manter ou aumentar a margem de manobra face aos constrangimentos naturais ou tecnológicos. A Itália já tinha reagido com uma hostilidade semelhante quando o francês Groupama quis entrar no capital da seguradora Fondiaria SAI. Estamos perante puro proteccionismo, contrário às regras elementares do mercado comum europeu. Quanto à solução de compromisso, esta não teria bloqueado a tomada de controlo estrangeira mas teria unicamente permitido salvar a face no território nacional. Uma concepção tão territorial da protecção deve ser uma herança da visão imperial continentalista de Roma ou então a hostilidade do governo era somente uma manobra de preparação da campanha eleitoral de Silvio Berlusconi.

No contexto de revolução árabe, a oposição geoeconómica França-Itália desliza para o terreno geopolítico. Paris foi o motor do ataque à Líbia. Sarkozy interveio deste modo num terreno que Roma considera, por razões históricas, exclusiva ou prioritariamente ligado a ela mas sobretudo atacou-se ao fornecedor de petróleo da península italiana.

Alice Lacoye Mateus

Posted by admin   @   1 mai 2011 0 comments
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